quinta-feira, 5 de agosto de 2010

LI - CODINOMES







“(...) uma só saliva e um só sabor de fruta madura,
e eu te sinto tremular contra mim
como uma lua na água.”
(J. Cortázar, in Rayuela)



...E, como toda circunstância se nomeia, ela trazia um nome entre seus nomes: Mariana.
Não sei se era o de batismo, pois lhe inverteram o nome e com ele, a ordem da vida.

Verdadeiramente, ela e seus nomes se misturariam com as cartas zíngaras de um baralho. E, em nossas vidas, esses nomes, estilhaços de espelho, ocultariam fantasmas. Reis, valetes e coringas estavam acoitados em um coração cigano que batia falso entre seus nomes.

Veio com um cortejo de espectros que encontraria o meu. Sem identidade, mas viva em minhas entranhas de poeta, ela se nomeou. E, nesses cacos espelhados que uns chamam versos, ela se construiu.

***

Após penetrá-la, entre doce e prazeroso, ela me fez a clássica e, de certo modo, desusada, indagação sacerdotal:

– O Sr. Jorge Dantas Cabral de Lima aceita a senhorita Mariana, Manaíra, Amirana, Maraína, e outros nomes e faces em cascata... também chamada na clandestinidade por Marília Spencer, como sua legítima amante?

– Sim, respondeu o cavalheiro, ainda em ereção dentro de sua fenda, lúbrica e acolhedora.


Aí começariam meus equívocos. Paixão e catarata cegam se não cuidadas a tempo, diria minha avó...



►alea índex


►LV